Quer um smartphone que dure anos? Estas são as características que deve verificar antes de comprar

Trocar de smartphone todos os anos deixou de ser opção para a maioria dos consumidores. Com os preços cada vez mais elevados e a pressão para reduzir o desperdício electrónico, comprar bem tornou-se mais importante do que nunca. Felizmente, a longevidade de um smartphone já não depende apenas da sorte. Concretamente, há características específicas que determinam se o dispositivo vai continuar fluido e seguro daqui a cinco anos ou se começa a mostrar sinais de cansaço já no segundo ano.

Suporte de software: o critério mais importante

Se há um factor que determina sozinho o prazo de validade de um smartphone, é o tempo de actualizações garantido pelo fabricante. Um telemóvel sem actualizações de segurança torna-se rapidamente um risco. Adicionalmente, pode deixar de correr aplicações bancárias e apps mais recentes muito antes de o hardware ficar obsoleto.

Nos últimos anos, os principais fabricantes alargaram este compromisso. A Samsung garante até sete anos de actualizações nos topos de gama Galaxy S a partir da série S24. A Google segue política semelhante na gama Pixel a partir do Pixel 8. Contudo, nos modelos intermédios, o número tende a ser mais curto. Por isso, antes de comprar, confirme explicitamente quantos anos de actualizações estão prometidos. Não assuma que todos os modelos da mesma marca têm a mesma cobertura.

Chipset: nem todos os processadores envelhecem da mesma forma

O processador tem impacto directo na fluidez do telemóvel ao longo dos anos, mas também na gestão térmica e na autonomia. Concretamente, nos testes mais recentes ao Galaxy S26, a variante com Snapdragon 8 Elite Gen 5 dura cerca de 28% mais tempo em uso intensivo do que a versão com Exynos 2600. Além disso, o Exynos revelou tendência para aquecer mais sob esforço prolongado. Consequentemente, isto traduz-se em mais degradação da bateria ao longo do tempo.

Em Portugal, os modelos Galaxy S26 e S26+ vêm com o Exynos 2600, sendo o Galaxy S26 Ultra o único equipado com o chip da Qualcomm. Nos modelos de gama média, o mais importante é escolher chipsets das gerações mais recentes, como a família Snapdragon 7 ou a gama Dimensity mais recente da MediaTek.

RAM e armazenamento: não poupe onde vai sentir mais falta

Para um smartphone que se pretende usar durante vários anos, 8 GB de RAM é o mínimo aceitável em 2026. O recomendável são 12 GB, para garantir margem de conforto à medida que as aplicações e as funcionalidades de inteligência artificial se tornam mais exigentes.

Quanto ao armazenamento, 256 GB é hoje um ponto de partida mais seguro do que os 128 GB que ainda dominam algumas versões de entrada. Adicionalmente, evite smartphones com leitor de cartão microSD. Comparativamente a um sistema de armazenamento moderno UFS 4.1, um cartão microSD rápido é radicalmente mais lento, especialmente em acesso aleatório. Consequentemente, isso tornará o dispositivo mais lento ao longo do tempo.

Bateria: capacidade e tecnologia

A autonomia é um dos primeiros sinais de desgaste que os utilizadores notam com o passar dos anos. Além da capacidade em mAh, a tecnologia da bateria ganhou peso nesta equação. Concretamente, os modelos mais recentes com baterias de silício-carbono oferecem maior densidade energética, permitindo baterias maiores sem aumentar a espessura do aparelho.

Em termos de valores, não escolha nada com menos de 5.000 mAh. O ideal situa-se entre 5.500 e 6.000 mAh. Adicionalmente, verifique a potência de carregamento suportada. Velocidades extremamente elevadas tendem a acelerar o desgaste da bateria. Por isso, o recomendável é um equilíbrio entre 45 e 65W, com funcionalidades de gestão inteligente da carga.

Resistência física: um seguro contra o imprevisto

Uma certificação IP68 ou IP69 não torna um smartphone indestrutível, mas reduz significativamente o risco de danos por água ou poeira. Nos topos de gama, esta protecção já é comum. Contudo, nos modelos de gama média, a sua adopção ainda é inconsistente. Por isso, confirme sempre antes de comprar.

Relativamente aos materiais, os painéis traseiros em vidro tendem a ser mais frágeis. Uma simples queda pode partir o vidro e expor os componentes internos. Nesse sentido, opte por modelos com construção mais robusta ou com vidros resistentes, como o Gorilla Glass da Corning.

Gama alta ou gama média: o que priorizar?

Num smartphone topo de gama, seja exigente em todos os critérios. Privilegie chipsets Qualcomm ou MediaTek de última geração, não escolha menos de 12 GB de RAM, confirme certificação IP68 e pelo menos cinco a seis anos de actualizações.

Num smartphone de gama média, o critério a não sacrificar é o suporte de software. Por outro lado, considere 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento como o mínimo recomendável. No fundo, comprar um smartphone pensado para durar não é perseguir o topo de cada especificação. É garantir que nenhum pilar essencial fica claramente abaixo da média do segmento escolhido.